segunda-feira, 9 de junho de 2008

On the Run

On the Run ("Em Fuga")
(Gilmour, Waters)

Embora seja essencialmente instrumental, “On The Run” merece uma análise bem ao nível do Pink Floyd. Pois há neste som toda uma simbologia que é a marca registrada do ‘The Dark Side of Moon’ – e que nos traz claramente a continuidade do enredo que já foi explicado anteriormente...

Preliminarmente batizada pela banda de ‘The Travel Sequence’ – ou, “A Seqüência da Viagem” (sugestivo, não?) –, você percebe que o som se inicia com a voz de uma “locutora de aeroporto” e depois segue com o ruído de passos e diversos efeitos de aeronaves e explosões. O que isto significa? Vamos à análise...

Como num contraponto à canção ‘Breathe’, o som ‘On The Run’ começa num ritmo frenético... Você começa a ouvir a típica voz de uma locutora de aeroporto como que anunciando uma partida e em seguida vêm os passos de alguém que, esbaforido, corre supostamente para não perder o vôo.

Na seqüência, ouve-se uma voz masculina (talvez o piloto da aeronave) dizendo “Live for today, gone tomorrow, that’s me” – que seria traduzível para “Viver o hoje, amanhã já era, este sou eu” – e depois dá uma sádica gargalhada mecanizada. Tal passagem reforça a idéia da entrega aos perigos anteriormente exposta na frase “Equilibrar-se na onda mais alta”, de ‘Breathe’. Na seqüência do som, ouvem-se aeronaves e explosões... Depois advém o silêncio, numa alusão de que tudo se estraçalhou – inclusive levando à morte o piloto (que supostamente pilotava a aeronave de maneira insana e suicida).

O interessante é que, após as explosões, você ouve novamente os passos da pessoa juntamente com a respiração. A interpretação mais sensata para isto é que a pessoa que estava correndo acabou perdendo o seu vôo – uma fatalidade que, no fundo, acabou salvando sua vida por não ter embarcado naquela viagem suicida. Isto vem nos mostrar o quanto é tênue a linha que separa a vida da morte... Pois em muitos casos (muito provavelmente com você mesmo tenha acontecido) um mero acaso evita que nós embarquemos numa “canoa furada” – o que nos leva a questionar: estariam nossas vidas à mercê da sorte?

Assim, o título ‘On the Run’ remete-nos à idéia da nossa eterna fuga da morte. Ou, noutro ângulo: viver é também o exercício de driblar o constante espreitar da morte.

5 comentários:

Tiago Felipe disse...

parabens pelo blog!!!
muito legal...
ps: percebo uma certa ligação entre o the wall e a obra revolução dos bichos do orwell. principalmente a partir de confortably numb... teria realmente alguma ligação?
abraço!

rashiprock disse...

Muito bom! Obrigado por compartilhar isso com a gente. Valeu irmão, tudo de bom aí.

Thaís disse...

Na verdade, A Revolução dos Bichos tem muito mais a ver com o álbum Animals.

Anônimo disse...

parabens voce explcam muito bem os significados da musica,este blog eh otimo

Anônimo disse...

Meu nome é Ricardo. Te citando: 'Pois em muitos casos (muito provavelmente com você mesmo tenha acontecido) um mero acaso evita que nós embarquemos numa “canoa furada” – o que nos leva a questionar: estariam nossas vidas à mercê da sorte'? Eu não imagino nem um programa minuncioso e que governe até nossas menores ações e nem um aleatório - e como bem como disse o Morpheus em Matrix Reloaded, "eu não acredito no acaso (ou em sorte)". Onde outros veem coincidência eu vejo a providência". Pois também se diz: "O homem propõe e Deus dispõe"! Abraço!