quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O significado de 'Álbum Conceitual'

É muito fácil encontrarmos a expressão álbum conceitual quando nos deparamos com textos a respeito do ‘The Dark Side of Moon’. O que significa isto?
Apesar de oportuna, a expressão ‘conceitual’ talvez não fique clara para a compreensão mais imediata quando tratamos da obra prima do Pink Floyd.

Pois o álbum do Pink Floyd é assim: traz em si uma mensagem; tem princípio, meio e fim. E cada detalhe aparentemente reles da obra deve ser encarado como algo profundo que pode alterar totalmente toda a nossa interpretação em cada releitura que fazemos. Ao longo dos posts, pela ordem, tratarei de esmiuçar o todo álbum - analisando, ponto a ponto, todas as canções. Evidente que, aqui, trata-se de uma interpretação muito particular que, aliás, foi enriquecida por pesquisas em diversos sites do gênero.

Pois o álbum é ‘simetricamente’ composto por 10 canções. Digo ‘simetricamente’ porque as mesmas obedecem tanto à cromografia proposta pela capa quanto à cronologia, ou, o ‘timer’ das canções. Para explicar isto, vamos ordenar as canções em dois blocos. Assim:

1- Speak to Me
2- Breathe
3- On the Run
4- Time / Breathe Reprise
5- The Great Gig in the Sky

6- Money
7- Us and Them
8- Any Colour You Like
9- Brain Damage
10- Eclipse

Da primeira canção, Speak to Me, até a quinta, The Great Gig in The Sky, temos o tempo corrido de aproximadamente 20 minutos. E da sexta canção, Money, até o final da última, Eclipse, temos 23 minutos. No antigo LP (long play de vinil, o popular "bolachão"), tal divisão era mais nítida. Pois as duas metades já vinham bem definidas em cada lado do álbum: A e B. Seria razoável, pois, supor que tenhamos duas metades, ou, fases que assim podem ser compreendidas:

1-Fase monocromática: o mundo idealista desde o nascimento da pessoa até o fim da adolescência.
2-Fase colorida: o mundo materialista da fase adulta até a morte.


Também, seria razoável interpretar a divisão a partir da visão psicodélica da coisa. Desta forma:

1- Fase monocromática: o mundo inocente desde o nascimento da pessoa até o fim da adolescência
2- Fase colorida: o mundo psicodélico da fase adulta até a morte.

5 comentários:

Natalia Salles disse...

Michel voce está de parabéns! Desenvolveu um belíssimo trabalho ao fazer a análise desta verdadeira obra de arte que é este álbum. Nos ajudou a pensar sobre, a filosofar com e a enxergar o que havia por trás do lado escuro do lp/cd TDSOTM.

Parabéns mesmo!És um derradeiro analista pinkfloydiano!
;-)

Scarlet εïз Tata disse...

nunca tinha visto ninguém analisar o disco por essa ótica e gostei muito. =]]]

ZoeliA disse...

Apesar de bem curta, gostei de sua interpretação!
Parabéns, cara!

Quando tiver algo mais a acrescentar, manda ver!

Anônimo disse...

Parabéns pelos comentários e observações. Para ilustrar o seu comentário basta ver a sincronia com o filma "O mágico de Oz". É justamente isso que vc falou. A fase monocromática e a fase colorida (literalmente). Fantástica a sua observação (Vale lembrar que tb nunca a vi antes).

Codonauta disse...

Uma analogia bem interessante, mas como é que você descobriu que havia essa simultaneidade de acontecimentos em ambos os trabalhos? Digo, num universo de zilhões de filmes, como descobrir que logo nesse filme é que estava o arcabouço do disco do Pink Floyd?